 | As Agências de Rating americanas, que exercem uma actividade importante no mundo financeiro, têm-se caracterizado desde há uns anos por falharem nalgumas decisões e nomeadamente:- O terem atribuído um triplo AAA aos empréstimos “sub-primes” emitidos pelos grandes bancos americanos (ou pelas suas “caixas de correio” em paraísos fiscais) quando por empréstimos respondiam “casas invendáveis”, nas aldeias americanas. Gerando uma crise mundial de que todos somos vítimas.
- De igual modo o terem dotado os empréstimos soberanos de todos os países da Zona Euro, com excelentes notações, por considerarem que o Euro os salvaria. O que, como sabemos, não chegou “quando examinaram corretamente a situação de cada país” (crescimento económico e nível da Dívida Soberana).
Actualmente não querem continuar a ser acusadas de “facilitismos” ou de incompetência, pelos seus maiores clientes (americanos, asiáticos e árabes) que desconfiam da situação da Zona Euro. E atacaram, através de baixas de rating de nove países da zona euro, a sua credibilidade para suportar aumento das suas Dívidas Públicas, em período de fraco crescimento económico e mesmo, nalguns casos, de recessão.
Mas, imediatamente, viram-se desmentidas pela reacção dos mercados de acções e obrigações que, pelo atraso no anúncio, subiram considerando a baixa de ratings um “não-acontecimento” cujos efeitos já tinham sido antecipados pelos mercados. E assim, estes reagiram, positivamente, com excepção do câmbio Euro/Dólar em que o Euro (felizmente) se desvalorizou. Ou seja:- As taxas de juro exigidas pelas Dívidas Públicas dos países mais evoluídos e recentemente atacados (França, Espanha e Itália) baixaram. Valorizando tais títulos.
- As acções dos mercados europeus mais evoluídos estão a subir desde o início do ano.
- As acções e obrigações dos Bancos Europeus também reagiram em alta.
Porquê estes comportamentos “a contrario”?- O sentimento de que a Europa “quer resolver” o problema da Grécia. Logo não deixar caír o euro.
- A constatação da melhoria da situação do sector imobiliário americano, logo do consumo deste país, pela melhoria do “efeito de riqueza”.
- A manutenção de um forte crescimento económico na China onde o “Ano do Dragão” traz sempre uma melhoria das decisões de investimento público e privado.
- Finalmente a melhoria do “clima de confiança” geral na Europa e no Mundo.
Num dos últimos livros sobre a crise Jacques Attali acaba com uma frase que resumo: “ A crise actual vai terminar um dia, deixando atrás de si inúmeras vitimas e alguns vencedores. Estes serão os que se tornarem autores do seu próprio destino, e capazes de adoptar estratégias audaciosas de sobrevivência pessoal”.
José Santos Teixeira Presidente da Optimize Investment Partners @ Optimize Investment Partners e Diário Económico |