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Depois dos Estados Unidos, chegou a hora da verdade para os bancos europeus. Dois dos maiores actores Europeus, o Fortis e o Dexia, tiveram de ser parcialmente nacionalizados para evitar uma entrada em falência. O conjunto dos activos do Fortis e da Dexia representam cerca de 1.500 biliões de euros, ou seja, 3 vezes os activos do Lehman Brothers.
Quais são os riscos enfrentados pelas instituições financeiras?
Felizmente são poucas as instituições financeiras a encontrarem-se em situações perigosas, mas o medo vale para todos. Os bancos, mas também as seguradoras, têm de fazer face a dois riscos: um risco de liquidez e um risco de fragilização dos seus fundos próprios. Num mercado que já não tem confiança nas instituições financeiras, não é fácil, e até em certos casos impossível, realizar um aumento de capital ou simplesmente conseguir financiamento da actividade corrente. Nesta situação, os bancos mais fragilizados encontram-se em duas categorias: - os que, por terem de constatar prejuízos nas suas carteiras de activos próprios, necessitam de realizar um aumento de capital para manter rácios prudênciais em níveis satisfatórios; - os que por falta de recursos próprios, como depósitos de clientes, têm de conseguir, no mercado ou junto dos bancos centrais, um financiamento das suas actividas de crédito
Como saber quem será o próximo?
Embora se possa por em causa a capacidade do mercado a avaliar "justamente" a situação das empresas, é sempre perigoso tentar ter razão contra todos. Partindo desse pressuposto, a melhor aproximação do risco de "dificuldades" dos bancos encontra-se na cotação dos chamados "Credit Default Swaps", ou CDS. Esses instrumentos financeiros permitem comprar um seguro contra a falência de uma empresa.
No caso de uma empresa estar na impossibilidade de reembolsar uma dívida emitida por ela (obrigações), o vendedor de um CDS compromete-se a reembolsar o comprador. Por isso, quanto mais elevado é o risco de falência de um banco, mais alta é a cotação dos CDS para esse banco.
Quais são as lições de uma analise da cotação dos CDS?
A análise da cotação dos CDS ao nível da banca norte americana e europeia traz vários comentários: - os bancos mais enfraquecidos continuam a ser os bancos americanos, nomeadamente os bancos de investimento, como a Morgan Stanley, a Goldman Sachs e a Merrill Lynch, mas também, o que é mais grave, bancos de retalho gigantes como a Wachovia e o Citigroup, o maior banco americano... - A nível europeu, os bancos espanhóis de média dimensão são os sofram mais, nomeadamente devido à crise imobiliária atravessada pelo país - Os grandes bancos portugueses, a CGD, o BCP e o BES, situam-se em níveis relativamente confortáveis, sendo considerados em melhor posição do que grandes instituições como a Deutsche Bank, o Barklays, ou a UBS
Porquê que os bancos portugueses encontram-se tão bem posicionados?
Embora os bancos portugueses sejam de pequena ou média dimensão, quando comparados com os seus vizinhos europeus, beneficiam de estruturas de negócios em grande parte viradas para uma clientela de retalho. Isso traduz-se por um lado, numa relativa estabilidade dos seus recursos (contas correntes e depósitos a prazo da clientela particular), e por outro, numa carteira de activos mais tradicional (créditos hipotecários e ao consumo, acções, obrigações, fundos de investimento).
Como resultado, os bancos portugueses encontram-se relativamente pouco expostos às perturbações dos mercados, e conseguem oferecer um bom nível de garantia aos investidores e clientes.
O que é que os CDS não dizem?
Os CDS não são uma bola de cristal. Permitem apenas realizar uma síntese da informação disponível no mercado num período definido.
As cotações dos CDS virão a evoluir negativamente caso a situação bolsista continuar a degradar-se. E por definição, não incorporam informação desconhecida do mercado como por exemplo no caso de uma apresentação enganadora das contas de uma empresa.
Neste contexto, o final do ano será uma etapa crítica. A publicação do fecho das contas dos bancos permitirá ter uma imagem actualizada da saúde financeira de cada um, com eventuais boas ou más surpresas. Os próprios governos europeus estão a considerar a possibilidade de rever em urgência algumas regras contabilísticas, de forma a diminuir o impacto da crise dos mercados nas contas. Infelizmente, a realidade não se altera tão facilmente como as regras
Em conclusão
Os grandes bancos portugueses não se encontram, pelo menos de momento, "em dificuldades". E no que diz respeito aos depósitos de particulares, as garantias oferecidas pelos Estados sobrepõem-se às garantias dos bancos, e permitem a todos nós "dormir descansados".
É provável que, pelo mundo, algumas instituições financeiras entrem em crise nos próximos meses. Na Europa, a resposta dos estados a uma tal ocorrência, consistirá provavelmente numa nacionalização total ou parcial da instituição. E tendo em conta a posição relativa dos bancos portugueses, outros actores europeus serão provavelmente atingidos, antes das dificuldades chegarem até às nossas portas.
Infelizmente uma agravação da crise não pode ser totalmente posta fora de questão. Caso aconteça, ninguém está totalmente imune, mesmo os próprios Estados. A "cotação" da divida do Estado Português já é inferior à de grandes bancos como o francês BNP Links úteis: © Optimize 2008 |
ESPAÇO CLIENTE
Um mês depois da falência da Lehman Brothers, o sector financeiro continua em crise. As intervenções espectaculares dos bancos centrais, a aprovação do plano Paulson e as medidas e declarações dos estados ainda não conseguiram estabilizar os mercados que continuam a antecipar outras deficiências de instituições financeiras.