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2010: perspectivas económicas

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Segunda-feira, 28 Dezembro 2009 - José Santos Teixeira

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Depois de um ano de 2009 em que escapámos à deflação que teria prolongado a rápida recessão que sofremos, que aspectos macro-económicos mais significativos se podem prever para 2010:


1. A RECUPERAÇÃO DAS ECONOMIAS VAI PROSSEGUIR
É nas economias emergentes que a retoma será mais importante, não só pelo factor exportações, mas pelo aumento do consumo derivado da elevação do nível de vida das populações.


2. O COMÉRCIO MUNDIAL VAI RETOMAR
A recuperação económica vai levar ao aumento dos volumes de exportações e importações sendo que as paridades monetárias favoráveis à zona Dólar e desfavoráveis à zona Euro levantam alguns problemas às empresas exportadoras europeias, com baixa de 15% do Dólar.


3. REGRESSO DA CONFIANÇA NÃO ESTIMULARÁ O CRÉDITO
É necessária a confiança no futuro para aumentar o endividamento dedicado ao investimento. Essa confiança está a voltar por parte dos empresários e das famílias. Mas os bancos ainda temem não só o futuro das empresas, mas sobretudo as exigências de Capitais Próprios e de aumento dos seus Rácios de Solvabilidade. Assim o crédito será selectivo, logo com pequeno impacto no crescimento económico.


4. INFLAÇÃO OU DEFLAÇÃO?
Se o espectro da deflação parece estar afastado como consequência desta crise, o retorno da inflação é inevitável a partir do 2º Semestre de 2010, ou o mais tardar em 2011. Não por aumento dos rendimentos, nem por melhor utilização da capacidade produtiva que vai continuar baixa, mas devido à massa monetária em circulação que continuará a alimentar algumas “bolhas de activos” (matérias-primas, ouro, acções) e se estenderá progressiva mas moderadamente, aos preços dos produtos, alvos de contracção nos últimos tempos.



QUE CONSEQUÊNCIAS PARA OS INVESTIMENTOS FINANCEIROS?

  • É evidente que os mercados monetários continuarão a remunerar próximo de zero, ou do nível da inflação, os investimentos de curto prazo (Depósitos, Fundos de Tesouraria);
  • O imobiliário, se partir de preços ajustados em baixa, deverá “valorizar-se” em função da inflação, embora tal não signifique mais que uma actualização do seu valor. Tal não será todavia o caso em todos os países, onde o excesso de oferta impedirá o ajustamento da maioria dos preços;
  • Nas obrigações a alta das taxas de juro se bem que modesta tem como consequência desvalorizar a cotação dos empréstimos, sobretudo os de mais longa duração;
  • É nas Obrigações do Estado que reside o risco de baixa do rating, que se traduzirá na sua desvalorização. Assim, os produtos de rendimento garantido vão ser penalizados;
  • Restam finalmente as acções, que “tanto medo” têm provocado nos particulares que têm procurado a protecção no “rendimento garantido” embora baixo.


Há mercados com valorizações superiores a 100% desde o início do ano e muitos sectores e mercados com valorizações superiores a 50%. Tal não vai obviamente repetir-se em 2010, sendo possível uma pequena correcção em baixa. Mas considero que a rentabilidade do aforro só poderá vir de:

  • Países emergentes com muita população em procura de “melhor vida” (China, etc.);
  • Países desenvolvidos com forte inovação tecnológica e sobretudo moeda fraca como é o caso dos Estados Unidos;
  • Sectores do futuro: Energia, Saúde, Turismo, Infra-estruturas, Ecologia, Agricultura;
  • Finalmente, as “empresas-plataforma” presentes em todo o Mundo e com fabricação deslocalizada.


Resumindo: Em 2010 vamos assistir à recuperação das economias, mas com performances bolsistas inferiores. É que as bolsas já anteciparam em 2009 o cenário descrito. É sempre assim…



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