A queda de três mitos: Imobiliário, Estado, Golden Share | | Imprimir | Enviar por email | |
No decurso do último programa Bull & Bear do ETV foram abordados três temas que permitem concluir:
1. Falência de cajas de ahorros espanholas
Depois de há um ano o Banco de Espanha ter salvo da falência a Caja de Castilla eis que surgem problemas de solvabilidade e liquidez noutras Cajas de Ahorros, que têm resistido aos conselhos das Autoridades para se fundirem.
Tal fusão apesar de baixar custos de funcionamento e melhorar a qualidade de gestão, enfrenta a oposição dos “caciques” locais que as dirigem. Que não querem partilhar o poder de decisão que possuem levando-os a financiar projectos imobiliários megalómanos, hoje totalmente invendáveis, pois há cerca de um milhão de habitações vagas em Espanha.
Se atendermos a que já o problema dos “subprimes” teve a sua origem, no facto de os preços do imobiliário “não subirem até ao céu”, assistimos à queda do 1º Mito: O imobiliário é sempre um bom investimento.
2. Os empréstimos do Estado não têm risco
As recentes subidas das taxas de juro da Dívida Soberana devido à baixa dos ratings atribuídos pelas Agências de Notação, revelarem os riscos de emprestar dinheiro ao Estado.
Não quero com isto condenar os anunciados Certificados a ser emitidos pelo Tesouro. Mas enquanto há uns anos era a taxa dos Empréstimos do Tesouro a dez anos que era considerada como o risco zero, a partir do qual se estabeleciam os “spreads” para as restantes emissões de Dívida Privada, hoje assistimos ao endividamento de alguns Estados Europeus a taxas superiores às de empresas privadas.
Fim do 2º Mito: O Estado oferece a máxima segurança
3. Golden Share da PT
Como se sabe a PT tem uma proposta de compra de 50% da Vivo, por parte da Telefónica espanhola.
Apesar de extremamente aliciante para os accionistas minoritários, para o endividamento da PT e para a Dívida Externa portuguesa, parece que o “management” e o Estado estudarão a hipótese de impedir estrategicamente tal decisão, opondo o seu veto, através da “golden share”.
Considero que no momento em que andamos a vender o nosso mercado em Nova York e a pedir empréstimos internacionais, é impossível usar de tal veto.
Fim do 3º Mito: A Golden Share impede OPAs
Porquê as “quedas de três mitos”: Porque o “Mundo mudou”. Há muito mais que três semanas.
Links úteis:
© Diario Económico e Optimize 2010


Anda eu a tentar formar uma opinião sobre este assunto e encontrei o artigo abaixo e o seu blog. Deixo-lhe a resposta que deixei em outro site. Gostaria apenas que explica-se porque é que a gold share não impede OPAs. Vejo toda a gente a dizer que impede e até o governo diz que a vai usar para impedir a OPA se a Telefónica ousar fazê-lo.
Eu partilho um pouco da sua visão mas acho que a explicação abaixo é bem melhor.
A regulação tem de existir mas por força do regulador e não por interferência do governo (que nem é bem Estado, porque estado somos todos nós). Uma coisa é uma ANACOM ou regulador idêntico, outra é o Estado entra no meio negócio e decidir, por mim, sem eu o pedir, o que vai fazer com ele e com o meu dinheiro.
Eu sou de esquerda, mas não sou tolo ou cego.
Gostei do artigo abaixo que explica a realidade. Não sei qual o interesse desta associação ou do individuo que assina o artigo, mas o que defende tem lógica.