Crise: As questões por resolver | | Imprimir | Enviar por email | |

Apesar das excelentes performances bolsistas dos meses de Julho e Agosto e de já terem passado dois anos desde o início da crise, algumas questões ainda não estão resolvidas:
- O excesso de imobiliário
Se bem que muitas famílias sonhem em “aceder à situação de proprietários”, a verdade é que não têm capacidade financeira para tal. E as baixas de preços e das taxas de juro ainda não lhes permitiram atingir o necessário nível de solvabilidade.
O problema é particularmente grave nos Estados-Unidos, Grã-Bretanha, Irlanda e Espanha. Neste país ele parece-me insolúvel a menos que os bancos procedam a “saldos”, o que vai acontecer tanto em Espanha como em Portugal, onde o problema é menos importante mas presente. - O endividamento das famílias
Depois do imobiliário, os cartões de crédito poderão trazer uma nova vaga de incobráveis aos bancos.
Isto, apesar de o comportamento dos consumidores já ter mudado no sentido de limitação da “despesa inútil” e da preferência pelo “low-cost”, com baixa do recurso ao crédito.
Todavia, esta diminuição do consumo terá como consequência a limitação do crescimento económico, a menos que os Estados mantenham o nível elevado da despesa pública. - O nível da dívida pública
Como é conhecido, todos os Estados procuram diminuir o impacto da crise, através de aceleração dos programas de despesas e investimentos públicos, bem como, de melhoria de subsídios aos mais afectados pela crise, rebentando, no caso da Europa, com as limitações dos deficits a 3% do PIB.
Hoje, são os Estados dos países desenvolvidos que enfrentam situações de profundo desequilíbrio que alguns (como Medina Carreira) apelidam de “falência”, prevista a partir de 2015 para o caso português.
Parece, com efeito, que só uma elevadíssima taxa de crescimento económico permitiria aumentar fortemente as receitas públicas, ou uma drástica redução das despesas e dos investimentos.
Considero que uma terceira via poderá vir da Europa: É o recurso à “emissão de moeda” como aliás já fizeram os Estados-Unidos e a Grã-Bretanha.
Este procedimento terá como efeito inevitável o regresso da inflação como conhecemos nos anos 80.
Em termos de investimento, nestas fases de inflação, é sabido que perdem todos os detentores de títulos de rendimento fixo (obrigações e seguros de taxas garantidas), e ganham os que investem nas acções e no imobiliário.
Ainda não estamos nesta conjuntura, mas é conveniente estarmos atentos privilegiando as acções de elevado rendimento e de sectores defensivos.
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