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Não aos produtos estruturados

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Segunda-feira, 1 Março 2010 - José Santos Teixeira

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A CMVM anunciou a próxima publicação de um novo Regulamento sobre Produtos Estruturados os quais, nos últimos anos, substituíram parcialmente os clássicos Depósitos a Prazo. Com o objectivo de ultrapassar a baixa das taxas de juro.

Para tal os Bancos emissores recorreram, no essencial, a duas técnicas de marketing:

  • A promessa do “capital garantido” respondendo à aversão ao risco de muitos investidores e à convicção de que “O que é garantido é bom”.
  • A técnica da associação com um activo de alto risco que esteja na moda (petróleo, ouro, um índice de Bolsa importante, ou um pacote de acções de multinacionais famosas) que permitirá “jogar na Bolsa” sem risco. O desejo de todo o investidor.


A realidade observada pela CMVM é bem diferente, pois o rendimento médio destes produtos tem sido de 0,59%, logo inferior aos Depósitos a Prazo com que foram confundidos, sendo que “os cenários mais optimistas de rentabilidade, têm uma probabilidade de ocorrência muito baixa em alguns casos próxima de zero”.


Todavia, a CMVM pretende, e muito justamente, obrigar os emissores (Bancos de Investimento) a definir o nível de probabilidade desses eventuais ganhos. Os quais, nos últimos anos se têm situado num valor médio de 0,59%, porque segundo o Presidente da CMVM “os cenários mais optimistas têm uma probabilidade de ocorrência muito próxima de zero“.


Porque razões são estes produtos comercializados?


Porque para garantir um capital de 100% do investimento, ao fim de oito anos, por exemplo, basta com a taxa de juro actual de 4,6% dispor de um capital de 70%.


Ou seja, sobram 30% do investimento para pagar o custo dos derivados que melhorarão o rendimento, mas sobretudo as comissões de gestão do Banco de Investimento e as comissões de comercialização dos Bancos Comerciais. Isto é, são altamente mais rentáveis do que os Depósitos a Prazo. Sobretudo se num mesmo Grupo Financeiro co-existirem Bancos de Investimento, Bancos Comerciais e Seguradoras….


Duas soluções para este problema para além da que está em análise:

  • A criação de mais entidades gestoras independentes.
  • A re-implementação de legislação instituindo uma verdadeira “Muralha da China” entre os diferentes actores do mercado financeiro. O G20 parece que está a pensar nisso… mas, entretanto, não subscreva.


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