Guia: A arte de bem investir em... Arte
Arte

Qualquer que seja a área de investimento, os riscos crescem logo que o passional ultrapassa o racional. Ora, a colecção de Arte constitui o melhor exemplo de mistura confusa entre paixão e razão.

  • Os bons reflexos do investidor
  • As fontes para uma maior cultura pessoal em arte

Para além disso, ao Mercado da Arte, falta coerência, falta transparência, faltam cotações fiáveis, … Um grande perigo para quem queira investir em Arte. Não terá outra hipótese do que mergulhar, com o maior discernimento possível, explorando, vendo, e sempre aprendendo. Veja o guia para investir numa área onde a Paixão é não só inevitável, mas imprescindível: 

 

OS BONS REFLEXOS DO INVESTIDOR

 

Antes de adquirir uma obra de arte, tenha cuidado, e encare 10 factores cruciais:

 

1. Aprenda a conhecer a Arte

Ler, documentar-se, visitar galerias, visitar museus, encontrar coleccionadores, encontrar artistas, visitar leiloeiras, … Os seus conhecimentos da história da Arte, de cada artista e de cada técnica nunca será demais.

 

2. A cotação constitui apenas uma indicação e não uma garantia

Ao contrário das acções, que têm um valor de mercado certo em qualquer momento do dia, as cotações artísticas são raras e pontuais. Ao contrário das acções, que são todas idênticas para uma mesma empresa, cada obra de um mesmo artista é única.

Por isso, as cotações dos artistas constituem apenas um ponto de referência para ajudá-lo a ter uma ideia do possível valor de uma obra.

 

3. Tome em consideração os fenómenos de moda

 A cotação das obras de Arte varia. Assim, há 10 anos, os Impressionistas e o Van Gogh eram os artistas com a melhor cotação. Hoje em dia, são os artistas contemporâneos que ganham terreno. Outro exemplo: o movimento surrealista já conheceu ciclos extremos nas cotações. Os efeitos de moda tornar-se-ão numa vantagem ou desvantagem para si. O que é preciso, aqui, é perceber e dominar as regras deste jogo perigoso.

 

4. Antecipe as grandes exposições agendadas pelos museus nacionais e internacionais

As exposições temáticas têm um efeito revelador e ampliador nas cotações artísticas. A curto prazo, pode então antecipar o “efeito exposição” e integrá-lo nas suas avaliações.

 

5. Analise as épocas do artista

Assim, por exemplo, Villeglé, co-fundador do movimento artístico “Novos Realistas” dos anos 60, tem peças desta época que valem o dobro das obras que realizou posteriormente, pois têm uma dimensão histórica que aumenta o valor destas. Este factor “época” é muito importante para o sucesso do seu investimento, sem contar a melhoria da sua cultura artística.

 

6. Analise o (potencial) papel histórico do artista

Muitas vezes, num mesmo movimento ainda subavaliado, os fundadores têm um potencial mais elevado do que aqueles que aderiram só mais tarde.

 

7. Conheça as técnicas artísticas e os seus respectivos valores

Para um mesmo artista, os critérios técnicos (lápis, pintura a óleo, litografia, colagem, etc.) têm impacto na cotação, com um factor de 1 a 1000. Tenha muito cuidado nas suas avaliações.

 

8. Saiba onde comprar

Muitas vezes, as galerias proporcionam preços mais razoáveis do que as leiloeiras.

 

9. Tenha cuidado na independência do artista perante os agentes

É melhor que o artista não seja dependente de apenas uma galeria ou um agente. A exclusividade pode levar os preços a subir de forma artificial. Para os contemporâneos, o ideal é de negociar directamente com o artista. Será uma óptima encontre e poderá adquirir obras a um preço justo.

 

10. Conheça as especificidades do mercado Português

A falta de “profundidade” do mercado Português (ou seja, de cotações frequentes) faz com que os pintores Portugueses estejam sobreavaliados em comparação com os pintores com cotações internacionais.

 

Afinal de contas, é o seu próprio coração que deve tomar a decisão.

Será que ainda gostarei desta obra daqui a 10 anos, mesmo se o seu valor for divido por dez?

Isto é a questão certa que lhe ajudará a tomar a sua decisão. É a decisão do coração.