Com 30 anos de idade faz sentido constituir um PPR?

Com 30 anos de idade a reforma ainda está longínqua. Fará sentido constituir um Plano Poupança Reforma nessa altura? 

 

Finalidade de um Plano Poupança Reforma

Para melhor perceber se faz sentido constituir um PPR numa idade jovem importa começar por perceber qual a sua finalidade. O objetivo principal de um PPR consiste em fazer uma poupança para ser usufruída quando se reformar, de forma a que a ausência de rendimentos provenientes do trabalho, não coloque em causa o equilíbrio das suas finanças. Com os crescentes receios da sustentabilidade da Segurança Social em Portugal, algumas reformas têm vindo a sofrer cortes pelo que, acautelar atempadamente esta fase da vida é uma atitude sensata.

Apesar do objetivo referido acima, não significa que tenha de constituir um PPR com vista a usufruir do seu rendimento apenas na reforma. Na verdade, um PPR pode ser constituído com qualquer objetivo e horizonte temporal de investimento. Constituir uma poupança para adquirir um carro, fazer obras em casa ou comprar a casa de férias dos seus sonhos, são exemplos de objetivos que podem fazer um investidor decidir constituir um PPR.

 

O único aspeto a ter em conta é que para ter acesso pleno aos benefícios fiscais existe um conjunto de condições que tem de cumprir, nomeadamente levantar o seu PPR apenas por um dos motivos abaixo:

          • A partir dos 60 anos de idade;

          • Reforma por velhice;

          • Desemprego de longa duração do investidor ou de qualquer membro do agregado

               familiar;

          • Incapacidade permanente para o trabalho do investidor ou de qualquer membro do

               agregado familiar;

          • Pagamento das prestações do crédito habitação.

 

Apesar de existirem estas condições para usufruir dos benefícios fiscais, pode optar por abdicar destes e aproveitar apenas as boas taxas de rentabilidade que um PPR proporciona, quando comparado com outros produtos de poupança tradicionais (como os depósitos a prazo).

 

Funcionamento de um PPR

Ao constituir um PPR, um investidor está a ceder o seu capital a uma equipa de gestores profissional que o irá aplicar em oportunidades que identifique nos mercados financeiros. As políticas de gestão seguidas procuram habitualmente a preservação de capital aliada a uma valorização do mesmo num horizonte temporal longo. De referir que existem ofertas de produtos PPR mais agressivos, na medida que podem investir uma proporção maior em ações na expetativa de obter um retorno maior. Por outro lado, existem ofertas mais adequadas a investidores que prefiram menos risco, nas quais se procura investir maioritariamente em ativos menos voláteis (obrigações).

Outro aspeto importante a realçar é que um PPR se encontra isolado da instituição financeira que o gere. Isto significa que na situação improvável da entidade gestora do seu PPR falir, o seu investimento encontra-se protegido já que não é esta entidade que detém o seu capital (este encontra-se aplicado num conjunto diverso de ativos). Numa situação destas a gestão do seu PPR seria transferida para outra instituição sem nenhum problema de maior.

 

 

Efeito da idade

A idade com que um investidor decide começar a poupar para um PPR pode fazer uma diferença muito significativa no rendimento que pode obter deste. O efeito da poupança acumulada, dos benefícios fiscais e da taxa de rentabilidade destes produtos acabam por ter um efeito maior quanto mais jovem for o investidor.

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Pressupostos desta simulação:

          • Reforço anual de 2000€ considerando o reinvestimento do benefício fiscal do ano anterior;

          • Rentabilidade média anual do PPR de 4,00%;

          • Resgate dentro das condições legais.

Resultados:

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O gráfico acima demonstra claramente que quanto mais cedo um investidor constituir um PPR, maior é o retorno que conseguirá retirar deste. O investidor que subscreveu o PPR com 30 anos e manteve uma rotina de reforços anuais chegou aos 66 anos com perto de 190 000 €. Por outro lado, um “atraso” de apenas 10 anos (subscrevendo o PPR com 40 anos) já diminui significativamente o rendimento obtido. Por fim, o investidor que opta por constituir o seu PPR mais perto da idade da reforma vê o valor acumulado ser bastante inferior. Ainda assim há que referir que tendencialmente será sempre um investimento mais rentável do que investir num depósito a prazo ou certificados do tesouro, por exemplo.

Assim, a resposta à pergunta deste artigo é: sim, sem dúvida, com 30 anos faz todo o sentido começar a pensar na reforma e constituir um PPR. Desta forma, ao longo da vida ativa é possível ir acumulando uma poupança considerável que poderá fazer toda a diferença um dia mais tarde!

Artigo publicado in Optimize