O horizonte de longo prazo do investimento em PPR ajuda no retorno do investidor?

Permanecer investido, fazê-lo com um horizonte de longo prazo e não fazer market timing são máximas que demonstram os seus frutos recorrentemente e que qualquer investidor moderado colocaria no topo da sua filosofia de investimento. Contudo, da teoria à prática vai uma grande distância, e dados divulgados pela Morningstar, e de muitos outros estudos, são reveladores disso mesmo: repetidamente, os investidores obtêm menos rentabilidade do que os fundos em que investem. O motivo? Os investidores não permanecem investidos, ignoram o longo prazo e arriscam no market timing.

Recentemente a FundsPeople demonstrou novamente esta conclusão através de análises aos fundos de ações e de obrigações geridos por entidades nacionais, em que num prazo de três anos com referência ao final de 2019 o retorno do investidor médio foi de cerca de 92% e 58%, respetivamente, do retorno atingido pelos próprios fundos em que investiu. Neste artigo, faremos um exercício semelhante com os fundos de alocação do mesmo universo.

À semelhança dos artigos anteriores, esta análise tiveram como base os dados disponibilizados pela Morningstar, nomeadamente o Morningstar® Investor Return™, conhecido também como dollar-weighted return, que mede como se comportou o retorno do investidor médio por fundo num determinado período de tempo, através de um método de cálculo semelhante à taxa interna de retorno (TIR). O retorno do investidor incorpora o impacto das entradas e saídas de dinheiro para e do fundo, bem como o crescimento dos ativos do mesmo. Diferentes classes do mesmo fundo apresentam resultados diferentes para esta métrica, pelo que todas as que têm dados disponíveis no período considerado serão apresentadas.

O cenário com os fundos de alocação não é muito diferente do já apresentado com os fundos de ações e obrigações. Com referência ao final do ano de 2019, cerca de 78% das classes dos fundos de alocação com dados disponíveis mostravam um retorno do investidor abaixo do retorno do próprio fundo (40 dos 51 produtos). De forma semelhante ao que acontecia no caso dos fundos de ações excluindo outliers, os investidores captaram somente 92% da rentabilidade dos fundos que investiram.

O horizonte de longo prazo do investimento em PPR ajuda?

Devido ao seu carácter de diversificação e possibilidade de investimento em várias classes de ativos, inserem-se nesta categoria um número de PPRs superior ao verificado entre os fundos de ações e obrigações. Por serem produtos cujo horizonte de investimento é a reforma e por beneficiarem de vantagens fiscais pela detenção dos mesmos no longo prazo, seria de esperar que o diferencial entre retorno do investidor e o retorno do fundo fosse mais reduzido nestes instrumentos. Porém, num simples exercício, podemos constatar que isso não acontece. Dos 11 PPR com dados disponíveis, nove apresentam um investor return aquém do retorno do fundo, com os investidores a captarem, em média, 73% da rentabilidade dos produtos em que investiram. Dados que ficam aquém do geral da categoria.

Relembramos que estes dados são influenciados por mais do que apenas fluxos de subscrição e venda de fundos numa lógica de timing de mercado, mas o que os números nos dizem é quem em média, os fundos se comportam melhor do que aquilo que ganham os investidores. É aqui que entra o papel dos gestores de ativos de passar a mensagem aos seus investidores de que é importante permanecer investido pelos horizontes de investimento recomendados para que os clientes capitalizem adequadamente o seu expertise de gestão.

 

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Informação adicional:

Artigo publicado in Funds People