Sete meses após o COVID-19 como estão os mercados?

O Covid-19 trouxe consigo uma crise nos mercados financeiros como não se assistia desde 2008. Hoje, 7 meses depois do início, como se encontram os mercados? Procuramos responder a esta questão neste artigo.

 

Uma queda esperada com um motivo inesperado

A longínqua crise financeira de 2008 tinha constituído o último evento nos mercados causador de quedas massivas na generalidade dos índices mundiais. Após esta crise seguiram-se vários anos de recuperação e valorização dos mercados. Os máximos atingidos antes da crise foram largamente ultrapassados nos anos subsequentes e os investidores começaram a usufruir de valorizações que pareciam não ter fim.

No entanto, investidores experientes sabem que os mercados financeiros obedecem habitualmente a ciclos. Tanto há ciclos de valorização, como de desvalorização e nenhum destes dura para sempre. Assim, com o clima de valorização prolongada que se fazia sentir ao longo dos anos, foram crescendo alguns receios que mais tarde ou mais cedo existiria uma correção significativa. Só ninguém suspeitava qual seria o combustível a despoletar esse evento.

Um vírus que rapidamente se alastrou pelo Mundo e colocou em sobressalto os governos mundiais, acabaria por vir a ser a causa da, por alguns esperada, descida dos mercados. O Covid-19 originou medidas bastante restritivas da atividade económica na maior parte dos países do Mundo o que se traduziu em diminuições massivas das receitas em muitas áreas de negócio. Apesar de também terem existido áreas de negócio fortemente beneficiadas com a situação criada, a verdade é que a generalidade da economia foi bastante prejudicada.

 

Dimensão da desvalorização

Conforme o número de infetados por Covid-19 ia aumentado e espalhando-se pelo Mundo, as preocupações por parte dos governos foram crescendo e a implementação de diversas medidas de confinamento tiveram lugar. O pânico e clima de incerteza criado são dois sentimentos habitualmente bastante prejudiciais nos mercados financeiros, pelo que, começaram a sentir-se quedas significativas um pouco por todo o Mundo.

Variação dos principais índices acionistas mundiais entre três períodos de 2020.Fonte: https://www.statista.com/statistics/1105021/coronavirus-outbreak-stock-market-change/

 

No gráfico acima é possível perceber a dimensão das quedas provocadas pela crise do Covid-19 onde os principais índices mundiais sofreram desvalorizações consideráveis, com destaque para alguns países europeus que foram particularmente atingidos de forma mais severa. Por outro lado, os principais índices chineses e americanos tiveram quedas menos drásticas quando comparadas com a generalidade da Europa.

 

A recuperação dos mercados

Tal como em diversas crises financeiras passadas, por muito dramático que o cenário seja, uma recuperação generalizada acaba por ocorrer. Esta mais recente crise não foi exceção. Depois dos mínimos atingidos durante o mês de Março e Abril de 2020, a maioria dos índices de referência mundiais iniciaram uma trajetória de recuperação.

 

Dados semanais das cotações de diferentes índices acionistas de referência durante a pandemia de Covid-19. Utilizada a plataforma https://www.tradingview.com/ para gerar o gráfico.

 

No gráfico acima é possível constatar que houve uma inversão das quedas no final do mês de Março na maioria dos índices de referência mundiais.  A maior parte destes já recuperou totalmente as quedas registadas ou encontra-se muito perto dessa marca. O destaque no sentido positivo vai para o NASDAQ 100 (NDX) que além de ter recuperado totalmente as perdas registadas, conheceu uma valorização muito considerável nos últimos meses. O principal índice de Hong Kong, Hang Seng (CSI300), bem como o S&P500 encontram-se também do lado dos ativos que além de terem recuperado as perdas, conseguiram uma valorização superior a estas.

No lado negativo, o destaque vai para alguns índices europeus, como o francês CAC 40 ou o inglês FTSE 100 que ainda não atingiram os valores pré-crise do Covid-19. No entanto, há que ressalvar, que apesar disso existe uma clara tendência de recuperação que faz antever que durante os próximos meses as perdas possam ser totalmente compensadas. Esta recuperação mais lenta pode, em certa medida, ser encarada como uma oportunidade de investimento.

 

O que se segue nos mercados?

É relativamente consensual que as consequências do confinamento e da estagnação de grande parte da atividade económica mundial continuará a ter alguns efeitos na vida das empresas. No entanto, através da análise do comportamento recente das bolsas mundiais, é possível concluir que existe um otimismo e uma expetativa de que tudo volte ao normal em breve.

Os diferentes ritmos de recuperação dos diversos setores da economia estão intimamente relacionados com as expetativas que os investidores têm acerca da velocidade de recuperação de cada área de negócio. Se na área da tecnologia por exemplo, essa recuperação não só já ocorreu como houve valorizações generalizadas, no setor do turismo e aviação a recuperação ainda se encontra em curso.

Um aspeto é certo, nestes momentos existem nos mercados financeiros oportunidades para explorar. Exemplo disso são as áreas de negócio com boas perspetivas para o Mundo que surgirá depois do COVID-19, bem como os setores de importância vital que ainda se encontram desvalorizados face aos acontecimentos.

Artigo publicado in Optimize