Incentivos fiscais às contribuições em PPR estão de volta! O “plafonamento horizontal” da soma dos benefícios fiscais a 100€, que vigorava até 2014, fazia com que, na prática, os benefícios sobre as entregas em PPR’s não eram aplicáveis. Esse plafonamento desapareceu sobre os rendimentos de 2015. Voltamos à situação pré-troïka, com deduções no IRS correspondendo a 20% das entregas anuais em PPR’s até um máximo de 400€. Mas receber um cheque virtual de 400€ das Finanças para o ir gastar, a crédito, em compras de natal não é o que eu chamaria “constituir um complemento para a reforma”. Esse exercício requer dois passos igualmente importantes para o resultado final, uma reforma feliz! O primeiro consiste em perceber qual é o valor de poupança que deve ser constituído até à idade da reforma. Esse valor depende de vários parâmetros, os mais importantes são o tempo que resta até à reforma e o nível atual de rendimento. Quanto mais jovem e/ou bem pago pior. Para chegar ao resultado final sem dores de cabeça, o melhor será utilizar um simulador como aquele disponível no site simuladordereforma.com. O segundo passo consiste na seleção da aplicação financeira adaptada a uma poupança de muito longo prazo. Tenho aqui uma má e uma boa notícia! Do lado mau, não é possível obter uma rentabilidade sensivelmente superior à inflação com garantia de capital. Taxas de juro em mínimos e novas regras prudenciais aplicáveis às seguradoras ainda vão reforçar a anemia das rentabilidades dos produtos garantidos que dificilmente superam, para os melhores, os 2% anuais. Sendo o cliente a assumir o risco financeiro, deverá procurar informar-se sobre os melhores produtos e gestores do mercado. Diários económicos, DECO e site da APFIPP oferecem comparações da performance dos fundos PPR e são os pontos de entrada recomendáveis nessa pesquisa. “Preguiça bancária” é má conselheira. Reformas “completas” são um bicho estranho do passado, que nenhum Estado Europeu, mesmo entre os menos endividados, consegue manter. Os hábitos de poupança vão ter de se ajustar à realidade de uma Europa economicamente e demograficamente mais pobre, que só conseguiu “fazer de conta” enquanto podia emitir mais dívida. Cada um deve preparar-se para uma reforma por conta própria! Diogo Santos Teixeira, Administrador Executivo da Optimize Investment Partners Artigo publicado no Diário Económico, às sextas-feiras |


